A Universidade do Mindelo, o Rotary Club do Mindelo a e a Fundação Ciências do Movimento em Cabo Verde apresentam no dia 01 de abril, quarta-feira, pelas 17 horas, no auditório Isidoro da Graça da Universidade do Mindelo o “Estudo Epidemiológico e Genético de Parkinsonismos em Cabo Verde”. A sessão será conduzida pela neurologista Leonor Correia Guedes.
Em entrevista recente ao Expresso das Ilhas, o investigador Joaquim Ferreira explicava que, caracterizar as manifestações da doença de Parkinson na população cabo-verdiana e realizar um estudo genético constituem os principais objectivos deste trabalho. “Tentar caracterizar as características da doença na população de Cabo Verde e fazer também um estudo genético, ou seja, fazer uma pequena colheita de sangue, para ver se há alterações genéticas específicas da população de Cabo Verde”.
Do ponto de vista clínico, este especialista destacou a importância de, em última instância, poder ajudar a melhorar os cuidados de saúde prestados a estes doentes. Isto porque, para este investigador, estudar as alterações genéticas associadas à doença de Parkinson permite compreender melhor os mecanismos que causam a doença, para desenvolver medicamentos direcionados a tratar essas alterações.
“O conhecimento genético é uma forma de aprendermos mais sobre por que é que esta doença cerebral, ou estas doenças cerebrais, acontecem, e o conhecimento do mecanismo leva a que se tentem desenvolver medicamentos e outros tipos de tratamentos que compensem as alterações que essa informação genética nos dá”, assegurou, frisando que a escolha de Cabo Verde para realizar este estudo resulta da colaboração já existente entre especialistas locais e internacionais e às características populacionais do arquipélago.
Do lado da Fundação Ciências do Movimento, a vice-presidente Helena Tolentino, defendeu que a identificação de genes específicos da população cabo-verdiana neste estudo poderá constituir uma contribuição científica relevante a nível mundial no estudo das doenças do movimento. “Sendo o primeiro estudo feito em Cabo Verde das alterações genéticas dos doentes com Parkinson, é muito importante, porque, se os resultados forem numa determinada direção, por exemplo, se identificarem alguns genes particulares que existem aqui, o país dará uma grande contribuição para o nosso contexto e para a comunidade internacional. Entraremos também no mapa do mundo por essa via”, assegurou.
A investigação decorre em Santiago, Santo Antão e São Vicente, no âmbito de um estudo epidemiológico conduzido por investigadores internacionais. É coordenada pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, em articulação com o Serviço de Neurologia do Hospital Agostinho Neto e com o apoio da Fundação Doenças do Movimento em Cabo Verde.
A doença de Parkinson, refira-se, é uma patologia cerebral que se caracteriza pela lentidão dos movimentos, pelo tremor e pela alteração do andar.
