O eleito municipal Nilton César Silva afirmou esta manhã que a ilha de S. Vicente está a enfrentar uma rotura no fornecimento de gás, situação que, relata, tem obrigado as pessoas a passar horas em filas junto aos postos de venda para adquirir uma mera botija. Para ilustrar a crise, o líder da bancada do PAICV na AMSV salientou que hoje, por volta das 10 horas, encontrou em Monte Sossego uma senhora que estava a marcar lugar para comprar gás desde ontem à noite.
Ontem, segundo este porta-voz, percorreu vários pontos de venda e de revenda e o cenário era o mesmo: falta de garrafas cheias e pessoas preocupadas com a escassez desse produto de primeira necessidade. “Que fique claro: não aceitamos a velha desculpa do açambarcamento. O que existe é uma realidade evidente: uma rotura no abastecimento em S. Vicente”, declarou em conferência de imprensa.
Questionado se teve o cuidado de contactar as petrolíferas Enacol e Vivo Energy antes do contacto com a imprensa, Nilton César respondeu negativamente porque, para ele, o cenário que encontrou nas rondas feitas demonstra claramente que falta gás no mercado. Perante esta constatação, entende que as empresas precisam falar a verdade para as pessoas saberem o que se passa. Reforça que o próprio Governo precisa exigir das petrolíferas a reposição imediata dos stocks porque, diz, hoje já não é aceitável as pessoas penalizarem por horas para comprar uma botija de gás. Este tipo de carência, diz, relembra tempos passados vividos pela geração acima dos 40 anos, quando a população enfrentava penúria de bens de primeira necessidade.
“No entanto, fizemos um processo de consolidação do Estado que nos permitiu estabilizar muitos parâmetros da nossa economia, em especial o processo de fornecimento e disponibilização de produtos de primeira necessidade, em especial, os alimentícios e os combustíveis”, sublinha Nilton César. A indignação, reforça, é que hoje Cabo Verde está pontuado como país de rendimento médio alto e parece estar a regredir nesses aspectos básicos, quando o abastecimento de determinados bens já tinha sido resolvido na era de país de rendimento médio baixo.
Para Nilton César, importa questionar se alguém tem a coragem de dizer que está “tudo bem” no arquipélago, quando a escassez de gás, e até de produtos como o sal, está a afectar as famílias em diversas ilhas. Elencou como exemplo, Fogo, Sal, São Nicolau, situação que, enfatiza, vem acontecendo há meses, ainda antes da guerra despoleta a 28 de fevereiro no Médio Oriente.
Por sua vez, Adilson Graça reforçou que S. Vicente, assim como outras ilhas, chegou a enfrentar escassez do sal, um produto de produção nacional. O responsável do PAICV em S. Vicente salientou ainda que foi sentido a falta de alho, cebola e batata-inglesa, produtos muito consumidos pelas famílias. Quanto ao gás, deixou claro que o stock a ser vendido foi comprado antes da guerra Estados Unidos/Israel contra o Irão, conflito que está a afectar o preço do produto a nível internacional. Segundo Adilson Graça, a crise afectou inclusivamente a ilha de Santiago, onde ficam as esferas de armazenamento de gás, o que, na sua visão, revela que o problema é mais profundo.
Hoje, por volta do meio-dia, a reportagem do Mindelinsite constatou o fornecimento de gás nos postos de combustíveis da Vivo Energy, na Rua do Coco, e da Enacol, em Fonte Meio.
