O tema “tempestade Erin” dominou os discursos oficiais dos intervenientes na cerimónia de celebração dos 564 anos do município de S. Vicente, realizada ontem à tarde no edifício do Paços do Concelho. Enquanto anfitrião, o autarca Augusto Neves iniciou a sua intervenção pedindo aos presentes no salão nobre da Câmara de S. Vicente um minuto de silêncio para honrar a memória das vítimas da chuva torrencial, para depois prestar uma “homenagem especial” aos “heróis da linha da frente”: a Proteção Civil, a empresa Electra, bombeiros, socorristas, Cruz Vermelha, equipas de limpeza e saneamento, à população, entidades religiosas… “… todos os que trabalharam incansavelmente – sob a chuva, lama e vento – para garantir que estivéssemos seguros”, reforçou o edil, que acentuou no seu discurso que o propósito desse momento era honrar a força que uniu S. Vicente e a dor que marcou a comunidade.
Segundo Augusto Neves, após a primeira fase pós-tempestade, que visou criar as condições para o retorno à normalidade, a Câmara de S. Vicente vai entrar na grande etapa da reconstrução da ilha a partir do dia 28 de janeiro. Salientou que, graças ao Governo, foi possível mobilizar 3.485.804.575 escudos para esse “árduo processo”. Adiantou que, para além do trabalho de limpeza efectuado, a edilidade tem estado a refazer centenas de casas por toda a ilha.
PM anuncia balanço público da pós-Erin no dia 29
O Primeiro-ministro, que presidiu a cerimónia, assegurou, por seu lado, que será feito um balanço da execução do programa pós-Erin no dia 29 de janeiro. Sublinhou que será um balanço público, com a presença da comunicação social, onde serão revelados dados, com transparência, sobre a aplicação dos recursos, os resultados e do que se pretende na próxima fase.
Fazendo um histórico, Correia e Silva lembrou que a chuva torrencial provocou uma enorme destruição na ilha de S. Vicente, mas também em Santo Antão e S. Nicolau. Situação que, diz, obrigou o Governo a tomar medidas extras a nível orçamental, à semelhança do quadro provocado pela Covid-19 em Cabo Verde. Salientou, aliás, que a quando da pandemia, o Executivo decidiu criar um fundo nacional de emergência para permitir respostas a calamidades, nomeadamente catástrofes naturais, como foi o caso da tempestade Erin.
Este passo, disse, permitiu mobilizar de imediato recursos para o país não estar sempre à espera de ajudas externas. Adicionalmente foi possível, segundo o Chefe do Executivo, a disponibilidade de 10 milhões de dólares junto do Banco Mundial para as primeiras respostas aos danos causados pelo temporal e, ao mesmo tempo, atribuir rendimentos solidários aos profissionais mais afectados e apoio às famílias das vítimas mortais.
Em paralelo, prosseguiu, foi acionada a limpeza da cidade e iniciado o trabalho nas redes de água, comunicações e de electricidade, que atingiram cerca de 40 milhões de euros. Segundo o Primeiro-ministro já existe um programa mais completo, que prevê intervenções no sistema de drenagem e de proteção de uma cidade que, diz, é rodeada de ribeiras e foi construída em cima de ribeiras. E, frisa Ulisses Correia e Silva, a água procura sempre o seu caminho.
Um dos focos de intervenção, adianta, tem sido o sistema de saneamento e de redes da ilha de S. Vicente. Os primeiros trabalhos, enfatiza, foram feitos na zona da Lajinha para a substituição de redes obsoletas, de modo a permitir que o sistema de água e esgoto possa acompanhar a dinâmica turística nessa área. Ulisses Silva reconhece, no entanto, que é extremamente complicado resolver o problema de S. Vicente, que se foi expandindo nas encostas, com a construção de casas de tambor e de outras habitações extremamente frágeis.
“Foi difícil não saber por onde começar” – Helena Fortes
Sobre esse momento dramático registado em S. Vicente, Helena Fortes salientou que foi bastante afectada psicologicamente pelo que viu durante a visita que realizou no dia 12 de agosto, poucas horas após a tempestade. “Foi muito difícil não saber por onde começar. Mas, graças a união de todos os que amam a ilha, conseguimos”, frisou a presidente da Assembleia Municipal de S. Vicente, para quem os mindelenses estão hoje mais fortes e mais conciliantes. Ela que aproveitou a cerimónia para agradecer os apoios dentro e fora da ilha e pediu para que essa atitude prevaleça.
Passando para a sua gestão enquanto presidente da AMSV, Helena Fortes assume que as maiores vitórias do seu mandato até agora foi conseguir a aprovação do Orçamento da CMSV, activar comissões com a representação do MpD, PAICV e UCID e intensificar o trabalho da assembleia no terreno. As comissões, adianta, elaboram relatórios que são enviados ao poder camarário com sugestões sobre como as coisas devem ser feitas do ponto de vista da população para auxiliar na administração do concelho.
“Somos 21 eleitos que circulam aqui nas ruas com a responsabilidade de ver com olhos críticos, independentemente da nossa cor política. Todos queremos o melhor, porque aqui pretendemos ficar e manter a ilha para os nossos descendentes e para todos aqueles que desejam cá visitar”, realçou Fortes, que diz ter concentrado a sua actuação nos jovens e na descentralização do poder municipal. Primeiro porque, diz, os jovens são o futuro e, em segundo lugar, a máquina municipal, na sua visão, está pesada, logo, precisa fluir.
