Caso Dário Silva: Para “garantir transparência”, MS decide solicitar avaliação médica por equipa internacional independente

O Ministério da Saúde decidiu solicitar uma avaliação médica sobre a patologia e a condição clínica do adolescente Dário Tavares Silva – operado no Senegal a um tumor ósseo graças ao Projecto Zé Luís Solidário -, a ser realizada por uma equipa médica internacional independente. Em comunicado, a instituição afirma que, face à imprecisão das informações que circulam nas redes sociais a respeito do caso, tomou esta medida para garantir transparência, rigor e avaliação pormenorizada de todo o processo clínico. A equipa, acrescenta o MS, deverá depois apresentar um relatório circunstanciado, apoiado nas normas e protocolos internacionais para situações clínicas complexas como o de Dário Silva. “Oportunamente os resultados desta avaliação serão tornados públicos”, garante.

A decisão foi anunciada ontem, dez dias após a cirurgia, que, conforme revelou o Projecto Zé Luís Solidário, foi um sucesso, apesar de o menino de 13 anos ter perdido o braço afectado pelo tumor. Uma saída que visou, no entanto, salvar a sua vida. Considerada de alto risco, a intervenção envolveu uma equipa médica multidisciplinar de 10 médicos e durou 6 horas. Decorrida uma semana, Dário Silva recebeu alta e voltou a sorrir, como mostram vídeos postados nas redes sociais.

Esta reviravolta provocou uma onda de apoio à criança e ao Projecto Zé Luís Solidário, ao mesmo tempo que os internautas lançavam duras críticas aos técnicos e ao sistema de saúde em Cabo Verde, país onde a situação de Dário Silva já era dada literalmente como um caso perdido. Em entrevista à Inforpress, recorde-se, a directora clínica do Hospital Agostinho Neto chegou a afirmar que a gravidade da situação clínica do menino devia-se ao estado avançado da patologia e que os exames e as consultas feitas com especialistas portugueses – incluindo a equipa de oncologia pediátrica do Hospital IPO de Lisboa – confirmaram que a doença não permitia uma abordagem curativa, mas apenas paliativa. 

“O caso foi submetido a múltiplas juntas médicas nacionais e internacionais. A conclusão foi apontada para cuidados paliativos após a detecção de uma fractura patológica que revelou a gravidade da doença”, disse na altura, perante uma forte pressão nas redes sociais sobre a abordagem médica ao caso versus a qualidade do serviço da saúde pública no país.

Confrontado pela imprensa sobre o novo rumo do caso, o ministro Jorge Figueiredo admitiu que o sector da Saúde tem estado a viver “momentos complicados” – provocados pela reação da sociedade civil nas redes sociais – e assumiu a responsabilidade e “todas as consequências”, assim como as “agressões psicológicas” dirigidas à sua pessoa e ao pessoal médico. “Sabemos que estamos a viver momentos extremamente emocionantes e que qualquer comentário pode até agravar a situação”, declarou o governante, acentuando que a sua declaração não tem um viés negativo, pelo contrário.

Figueiredo acentuou que deseja tudo de bom para Dário Silva e que, se efectivamente tudo correr bem, será dos primeiros a comemorar essa vitória. Reconhece que é fundamental fazer de tudo para salvar vidas, mas salientou que nem sempre é possível alcançar os resultados almejados na medicina. E que, como qualquer ser humano, pode ocorrer erros.

O caso Dário Silva foi tornado público a 04 de março, quando o Projecto Zé Luís Solidário pediu apoio para levá-lo a Dacar, como última tábua de salvação. A viagem para Senegal foi realizada a 15 desse mês, tendo o menino viajado com a mãe. Após novos exames médicos foi submetido a uma cirurgia numa clínica no dia 30 de março, mas que levou à amputação do braço.

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