Cabo-verdianos residentes no Qatar dizem seguir instruções das autoridades e sentem-se seguros, apesar da tensão provocada por ataques aéreos do Irão

Dois cabo-verdianos residentes no Qatar garantiram à reportagem do Mindelinsite que estão se sentindo seguros, apesar da tensão provocada por ataques do Irão à base militar dos Estados Unidos instalada no país e a um reservatório de água pertencente a uma usina eléctrica. Até agora têm seguido à risca as recomendações das autoridades no sentido de ficarem em casa e só saírem à rua em casa de extrema necessidade. Por enquanto, dizem, os supermercados, farmácias, serviços de entrega a domicílio e o abastecimento de água e energia têm funcionado, mas as viagens aéreas foram totalmente suspensas.

“Estamos fechados em casa, resguardados, seguindo os conselhos das autoridades do Qatar. Posso dizer que não há polícias na rua impedindo os cidadãos de circularem, mas as pessoas estão cientes dos riscos e têm estado, deste modo, a cumprir as indicações do Governo”, comenta uma dessas fontes. Salienta que o Irão tem usado fundamentalmente mísseis e drones nos ataques, que têm sido repelidos pelo sistema de defesa do Qatar. “O maior risco que corremos neste momento são os destroços dos drones e mísseis, que podem atingir as pessoas e provocar ferimentos”, reforça.

Desde o dia 28 de fevereiro, quando o Irão lançou o primeiro ataque ao território do Qatar contra a base militar dos Estados Unidos, só foram registados feridos, vítimas dos destroços dos mísseis e drones interceptados pelo sistema de defesa aérea. A partir das suas residências, os entrevistados do Mindelinsite têm escutado explosões esporádicas e sentido ondas de choque nalguns casos, dependendo do ponto da explosão. Segundo as duas fontes, o Irão tem executado ataques frequentes e registaram um aumento da actividade bélica nos últimos dois dias. “Os ataques sucedem em ondas”, contam.

A trabalhar em Doha há nove anos, uma dessas fonte disse estranhar os ataques do Irão dada as relações diplomáticas e comerciais entre os dois países. Na sua percepção, uma coisa é visar as infraestruturas militares dos Estados Unidos e o contingente de 10 mil soldados norte-americanos presentes no Qatar, outra, diz, é apontar os ataques para alvos económicos. “Qatar, pode-se dizer, é um aliado tanto dos Estados Unidos quanto do Irão. América tem negócios em Qatar e vice-versa, assim como o Irão tem negócios com Qatar. A meu ver, esta deveria ser uma zona neutra neste conflito”, entende. Admite, no entanto, que se está perante uma guerra com contornos imprevisíveis. No máximo, diz, poderia haver uma retaliação do Irão contra a base militar dos Estados Unidos, por isso, para ele, a frequência dos ataques, e o facto de terem atingido infraestruturas económicas, constitui uma surpresa.

Logo no início dos ataques, os dois cabo-verdianos ficaram bastante apreensivos, até porque não têm hábito de viver em situações do género. “Fiquei muito apreensivo por este motivo e porque a minha esposa e o meu filho menos estão aqui comigo”, reforça uma dessas fontes em conversa com a nossa reportagem. Passados estes primeiros 4 dias, diz, começou a aprender a gerir melhor a ansiedade e agora se sente mais tranquilo. “Não é confortável ficarmos retidos em casa a ouvir estrondos, sem saber se as explosões provocaram vítimas. Felizmente que até agora não tivemos relatos de mortes”, frisa, ao mesmo tempo que faz votos para o conflito terminar o mais breve possível.

Até agora, Qatar anunciou ter abatido duas aeronaves iranianas e interceptados mísseis e drones. Hoje, entretanto, a imprensa internacional anunciou a detenção de duas células que operavam nesse país para a Guarda Revolucionária Iraniana. De acordo com a Agência de Notícias do Qatar (QNA), as operações de monitorização e rastreio de precisão resultaram na captura de 10 suspeitos, sete dos quais foram incumbidos de missões de espionagem para recolher informações sobre as infraestruturas vitais e militares do país, ao lado de três outros designados para realizar actividades de sabotagem e treinados na utilização de drones.

Segundo a Euronews.com, as autoridades encontraram também na posse dos suspeitos localizações e coordenadas de instalações e equipamentos sensíveis, bem como dispositivos de comunicação e equipamento tecnológico. Durante as investigações, o grupo terá confessado ligação à Guarda Revolucionária Iraniana.

Desde o dia 28 de fevereiro, data do início do ataque conjunto dos EUA/Israel contra o Irão, já foram contabilizadas 900 mortes, incluindo do Aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irão. A grande maioria das vítimas ocorreu em território iraniano, com 787 mortos identificados, incluindo 165 alunas e funcionários num ataque com mísseis a uma escola primária em Minab. Segundo o balanço divulgado ontem pela agência de notícias Reuters, mais sete países tiveram vítimas fatais, sendo 10 civis em Israel, 50 pessoas no Líbano, 6 militares norte-americanos, 1 morto no Bahrein, 3 no Kuwait, 1 em Omã e 3 nos Emirados Árabes Unidos.

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