O Presidente da República apresentou ao Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, o Encontro da Crioulidade, que Cabo Verde vai realizar nos dias 28, 29 e 30 de maio, à margem da Cimeira da União Africana, realizada em Adis Abeba. José Maria Neves acredita que Cabo Verde poderá levar o mundo crioulo às ilhas, através do diálogo e da partilha.
O propósito deste encontro inédito, disse o Chefe de Estado, é afirmar a crioulidade como exemplo de convivência, partilha e construção de soluções comuns para os desafios globais, num contexto internacional marcado pela fragmentação e pelas tensões geopolíticas.“Será um encontro das nações crioulas, que resultam de diálogo entre povos, culturas e civilizações. Nações que provam que o diálogo e a partilha são possíveis, que a busca de soluções negociadas também é possível.”
Promovida no quadro das suas funções como Champion da União Africana para a Preservação do Património Natural e Cultural de África, garantiu José Maria Neves, a iniciativa reunirá nações e comunidades resultantes do diálogo entre povos, culturas e civilizações. “Estamos a trabalhar para garantir que, periodicamente, possamos colocar as nações criolas a falar”, sublinhou José Maria Neves.
O encontro deverá culminar com a Declaração da Praia, que deixará explícito efectivamente o que será possível fazer para o futuro da humanidade, através do reforço da resiliência democrática, do diálogo intercultural e da cooperação num mundo cada vez mais interdependente, realçou o Chefe de Estado.
“Acho que isso é extremamente importante porque, num tempo de ruptura da ordem internacional, é preciso reforçar a resiliência democrática dos diferentes países. É preciso por os países a falarem entre si, a partilharem visões e a encontrarem soluções conjuntas para o futuro,” perspetivou.
O encontro entre JMN E Guterres, realizado no sábado em Adis Abeba, à margem da 39.ª Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da União Africana, constituiu ainda uma oportunidade para abordar os principais desafios da atual ordem internacional, em particular a fragilização do multilateralismo, do direito internacional e da Carta das Nações Unidas.
O PR sublinhou a importância de reforçar o diálogo entre os países, soluções negociadas dos conflitos e cooperação internacional, como caminhos essenciais para a paz e o desenvolvimento sustentável.
