Arquiteta Yara Fernandes apresenta projecto de engenharia do Porto Grande: Maior capacidade operacional e reforço do papel do porto para o desenvolvimento de S. Vicente e Cabo Verde

Coube à arquiteta e gestora de projectos da Direção de Desenvolvimento de Manutenção e Infraestrutura da Enapor apresentar o projeto de ampliação e modernização do do Porto Grande, considerando por Yara Fernandes um passo estruturante para o aumento da sua capacidade operacional, melhoria das condições logísticas e reforço do seu papel como uma infraestrutura estratégica para o desenvolvimento de São Vicente e de Cabo Verde. Esta alega que manter o porto relevante exige modernização, maior capacidade e melhor organização.

De acordo com Yara Fernandes, o Porto Grande é uma infraestrutura central para a vida da ilha e para a mobilidade nacional e a Enapor responsável pela gestão dos portos de Cabo Verde e desempenha um papel central no desenvolvimento económico do país, assegurando a operação, manutenção e modernização das infraestruturas portuárias. A empresa tem sob sua responsabilidade uma rede de 10 portos, disse, a empresa garante a conectividade marítima entre as ilhas e com o exterior,  movimentando anualmente mais de 3 milhões de toneladas de carga e centenas de milhares de passageiros.

”Nos últimos anos, a Enapor tem reforçado a aposta na inovação, sustentabilidade e na melhoria contínua dos serviços. E o projeto que aqui vamos apresentar é um exemplo claro dessa visão estratégica. O Porto Grande sempre foi um pilar no desenvolvimento de São Vicente.  É por aqui que entram os bens essenciais, que circula a economia, que se ligam as ilhas e que o país se abre para o exterior,” disse.

Para isso, dispõe de um quebra-mar com cerca de mil metros, que assegura um elevado nível de abrigo à esta infraestrutura portuária. Integra nove cais principais, destinados a operações de carga geral, contentores, granéis, pessoas, pesca e cabotagem, apoiados por terminais e áreas em terra.  “Apesar de dispor de cais com comprimentos significativos, esta infraestrutura vem vindo a enfrentar limitações claras, resultantes da evolução das exigências de transporte marítimo, de segurança, de sustentabilidade e de competitividade econômica”, sublinhou, realçando que, nos tempos atuais, manter o Porto Grande relevante exige modernização, maior capacidade e melhor organização.

Preparar Porto Grande para o futuro

Defende Yara Fernandes que este projeto nasce da necessidade de preparar o Porto Grande para responder às exigências do presente e aos desafios do futuro. Em termos práticos, afirmou, o projeto prevê a construção de um quebra-mar com cerca de 575 metros, reforçando o abrigo do porto e a segurança das operações.  Contempla também a construção de mais dois cais, um primeiro mais a este com aproximadamente 290 metros de comprimento, 20 metros de largura e uma profundidade de menos 14 metros. O segundo cais será mais a oeste e terá aproximadamente 370 metros de comprimento, 120 metros de largura e uma profundidade que varia entre os 13,5 e 14 metros, detalha.

Yara Fernandes, arquiteta e gestora de projetos da Direção de Desenvolvimento de Manutenção e Infraestruturas da Enapor

Prevê-se igualmente a ampliação da área dos contentores em cerca de 80%, assim como a reabilitação dos cais atuais, adequando-os a operações com navios mais modernos.  Segundo Yara Fernandes, um dos grandes ganhos deste projeto é a organização funcional do porto, tendo em conta que cada atividade passará a dispor de um espaço próprio e definido.  “Na parte nova, o primeiro porto será dedicado a graneis sólidos e líquidos e o segundo a carga geral. Os outros, a reabilitar, serão dedicados à pesca, guarda costeira e cabotagem.” Acredita esta responsável que esta organização reduz conflitos operacionais, aumenta a segurança e melhora significativamente a eficiência. 

Crescimento sustentável

De acordo com esta arquitecta, o Porto Grande movimenta cerca de 1,2 milhões de toneladas por ano. Sem expansão, as projeções apontam para uma estagnação em torno de 1,5 milhões de toneladas anuais até 2029,  refletindo os limites físicos e operacionais da infraestrutura existente.  Com a concretização do projeto, estima-se um crescimento a partir de 2030, podendo atingir 2,5 milhões de toneladas até 2047. “Em termos percentuais, isso reflete um aumento em cerca de 108% face à situação atual,  ou seja, mais do que o dobro da capacidade atual de movimentação de carga”, pontua.

Na prática, referiu, estes ganhos representam uma melhoria das condições operacionais, da organização e funcionamento do Porto Grande, permitindo que a infraestrutura receba navios mais modernos e de maior dimensão, aumentando de forma significativa a capacidade e a eficiência das operações. Ou seja, num número maior de movimentos, maior regularidade de escalas, redução dos tempos de espera e, consequentemente, dos custos operacionais. “A potencialidade de transshipping de contentores em Cabo Verde deixa de ser apenas uma ambição estratégica e passa a constituir uma possibilidade real, reforçando o posicionamento do país nas rotas marítimas internacionais.”

Por outro lado, disse, o aumento da profundidade do terminal de granéis líquidos permitirá igualmente potenciar e expandir as operações de bunkering,  criando condições para um maior número de navios em trânsito que abasteçam nas nossas águas, nas águas nacionais. Este reforço da capacidade logística, associado a melhores condições de escoamento e planeamento, beneficia diretamente setores estratégicos, como a agricultura, o comércio e a indústria,  tornando as cadeias de abastecimento mais eficazes, fiáveis e previsíveis.  Os efeitos fazem-se sentir também ao nível do emprego.

Empregos diretos e indiretos

Durante a fase de construção, referiu, estima-se a criação de 300 a 500 empregos diretos, além de inúmeros empregos indiretos nas áreas como os transportes, serviços e fornecimentos. Após a conclusão da obra, empregos permanentes e mais qualificados, bem como a necessidade de novas competências técnicas. Em síntese, a expansão do Porto Grande não é apenas um investimento da infraestrutura, mas um investimento na resiliência econômica, na eficiência logística e na segurança do abastecimento de Cabo Verde. Já para a população, traduz-se em maior estabilidade nos preços, melhores ligações ao mundo, uma economia mais sólida e previsível e, em última instância, uma melhor qualidade de vida. 

O projecto, refira-se, é promovido pela Enapor, com financiamento do Banco Europeu de Investimentos e da União Europeia, no âmbito da Estratégia Nacional de Modernização dos Portos Nacionais. O concurso internacional segue o modelo “Design and Build” (desenho e construção). Com um investimento estimado em 82 milhões de euros e um prazo de execução de 42 meses, a extensão do Porto Grande é um investimento na resiliência, na economia e na qualidade de vida de São Vicente. 

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