Vai ser criada em S. Vicente “task force” para atuar na melhoria da saúde mental dos jovens e adolescentes 

Vai ser criada em S. Vicente uma força tarefa, formado por psicólogos e assistentes sociais do Instituto Cabo-verdiano da Criança e do Adolescente, da Comunidade Terapêutica da Ribeira d’Vinha, Delegacia de Saúde, Aldeias SOS, Cadeia da Ribeirinha e Centro de Atenção Psicossocial, Álcool e Drogas da Ribeira Bote, para atuar na melhoria da saúde mental e no consumo de drogas na ilha de S. Vicente. Esta é uma das propostas saídas da capacitação destes profissionais de saúde mental realizada na cidade do Mindelo e que contou com apoio da UniMindelo e da Sociedade de Médicos Cabo-verdianos nos EUA (CVAMS). 

Foram dois dias intensos e satisfatórios, segundo a delegada do ICCA, e alcançou-se o objectivo de fortalecer a articulação entre os profissionais e as diferentes instituições que participaram da formação. Diva Gomes diz, por exemplo, que falaram sem tabus das necessidades que os psicólogos e assistentes sociais sentem no terreno. “Chegamos a conclusão que enfrentamos as mesmas necessidades, quer a nível material para fazer o nosso trabalho com mais eficiência, como também de recursos humanos e outros. Concluīmos que é preciso melhorar a articulação institucional e estabelecer melhores protocolos de atuação na área de saude mental. Portanto, faço um balanço muito positivo desta acção.” 

E isso só foi possível, afirma, porque nos períodos restritos houve muita troca e partilha de conhecimento e os momentos abertos ao público foram dinâmicos. “Deu para sentir a ânsia das pessoas, dos profissionais e estudantes com os conhecimentos recebidos e com as suas partilhas diárias em termos de experiência. E finalizamos esta capacitado com um momento muito esperado, que foi de autocuidado. Temos de cuidar dos cuidadores porque há muita necessidade. Não podemos esquecer que S. Vicente vivenciou um fenómeno, o Erin, que causou muito desgaste aos profissionais de saúde, e leva tempo para superar.”

Da parte do sub-comité para a Saúde Mental CVAMS, a especialista em Psicoterapia Neusa Araújo garantiu, igualmente, que foi uma experiência rica e benéfica para ela, enquanto facilitadora de aprendizagem e de transformação, mas também para os participantes. “Foi rico este intercâmbio com os quadros de S. Vicente. Acredito que ultrapassou os objectivos que tinham sido elencados porque, da minha parte, senti muita entrega, mas também pelo feedback dos participantes”, sublinhou. 

A intenção de apresentar uma estratégia ou um projeto-piloto não se concretizou, segundo Neusa Araújo. No entanto, afirma, a CVAMS tinha uma visão e intenção de fazer intercâmbios científicos e culturais sustentáveis de trazer novas práticas, novas ideias e sonhos, e foi isso que aconteceu. “Iremos fazer uma avaliação trimestral e semestral. Há uma lista de necessidades e foram os próprios formandos a escolher as prioridades, que fazem parte de planos estratégicos. A CVAMS continuar a desenvolver os objectivos, planos de ação, financiamento e formas de implementar o que foi aqui proposto.” 

Mas, o mais importante, sublinhou, é criar o task force de S. Vicente, que faz parte do plano estratégico e junta as organizações, psicólogos e assistentes sociais para continuarem a trabalhar neste sentido. 

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