SINDEP promove II Fórum Nacional em São Vicente para debater desafios da educação e valorização da docência

O Sindicato Nacional dos Professores (SINDEP) promove no dia 3 de outubro no Mindelo o II Fórum Nacional dos Professores, sob o lema “Os desafios atuais da educação e a necessária valorização docente – diagnóstico e resposta”. O encontro reúne docentes e outros intervenientes do setor educativo para debater a digitalização da educação, o impacto da Inteligência Artificial, a valorização profissional e a saúde dos docentes.

O fórum pretende colocar em debate os principais desafios que atualmente se colocam ao sistema educativo, bem como a necessidade de se reforçar a valorização da classe docente. A iniciativa, realizada no âmbito das atividades relacionadas com o Dia Internacional do Professor, celebrado a 5 de outubro, reúne participantes dos diferentes subsistemas de ensino, desde o pré-escolar ao ensino básico e secundário, passando pelo ensino de adultos e pelo ensino superior.

Entre os principais temas em discussão estão a digitalização da educação e o impacto da inteligência artificial nas escolas, a valorização dos professores nas dimensões pedagógica e laboral, a saúde dos docentes e a prevenção das doenças profissionais.

Em conferência de imprensa, Nelson Cardoso, secretário executivo regional  do SINDEP, explicou que o evento visa dar continuidade às recomendações do primeiro encontro e reforçar a participação dos professores na definição das políticas educativas. “O professor tem que participar na montagem e na definição do sistema educativo, porque é ele quem vai realizar. Não há escola sem professor. Então o professor tem que ser ouvido’, declara. Nelson Cardoso acrescenta que o fórum pretende ir além do debate e procurar gerar compromissos entre os diferentes intervenientes do setor educativo.

A defesa e o investimento na escola pública constituem uma das preocupações apresentadas pelo sindicato. A este propósito, Cardoso salienta que é necessário garantir melhores condições para professores e alunos. “Hoje o ensino privado é uma realidade e cada vez vai haver mais escolas privadas. E o que nós queremos da escola pública é que os profissionais disponham das condições ideais para trabalharem”, disse Cardoso.

Este sindicalista relembra que as condições oferecidas aos professores e às escolas têm influência na qualidade do ensino. “Falamos de condições, não só em termos de recursos, materiais gráficos, mas também em termos laborais – a tranquilidade, a valorização do nosso ensino. Esse é o aspeto essencial que vamos vincar na escola,” esclarece.

A digitalização da educação é outro dos temas centrais do fórum. Para Cardoso, ainda existem desigualdades no acesso às tecnologias entre as escolas e os próprios alunos. Frisa que nem todos os estabelecimentos públicos têm as necessárias condições tecnológicas e enfatizou que há casos de alunos com mais acesso ao mundo da tecnologia em casa, em comparação com as suas escolas.

A chegada da Inteligência Artificial às escolas representa também um novo desafio para os docentes, que, diz a citada fonte, precisam de formação para acompanhar esta nova realidade.“Existe a questão tecnológica, mas também a dimensão ética. Tem que haver regulação, é preciso procurar a própria formação dos professores”, afirma.

Além da transformação digital, o fórum aborda a valorização profissional e a saúde dos professores, com o sindicato a defender uma carreira digna, remuneração justa, formação contínua e melhores condições de trabalho. A organização alerta para a necessidade de se identificar e prevenir os riscos e as doenças profissionais que podem afetar os docentes.

O fórum pretende ainda retomar e acompanhar as recomendações do encontro realizado anteriormente, para promover o diálogo.

Ronice Fortes (Estagiária)

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