Professores a tempo integral obrigados a “picar ponto” na UniPiaget: Classe pergunta como ficam os trabalhos de campo e os fora do horário “normal”

Os professores da Universidade Piaget a tempo integral serão obrigados a “picar ponto” a partir do dia 1 de setembro, medida que ameaça instalar uma crise entre a classe docente e a administração. Segundo docentes abordados pelo Mindelinsite, a decisão pode parecer “natural” à primeira vista, mas acaba por pretender trata-los como pessoal administrativo quando, na prática, executam tarefas dentro e fora do estabelecimento de ensino.

“Quando esta questão é aplicada ao trabalho de docentes-investigadores ela torna-se consideravelmente mais complexa”, considera um dos professores. O mesmo salienta que um investigador não é um funcionário cuja actividade se limita à permanência física num determinado espaço durante um horário rigidamente delimitado. Pelo contrário, diz, boa parte das suas tarefas inclui a preparação de aulas, orientação de estudantes, reuniões académicas, visitas técnicas, seminários, congressos e outras actividades científicas que decorrem fora da universidade e em horários diferentes do tempo normal do serviço administrativo.

“É precisamente por isto que a obrigatoriedade de picagem de ponto levanta questões que vão muito além da simples assiduidade”, acrescenta. Questiona, ao mesmo tempo, como serão tratadas ou contabilizadas as actividades realizadas pelos docentes fora do horário normal. “Serão consideradas horas extras? Haverá compensação financeira ou serão simplesmente integradas nas obrigações regulares do docente?”

Outra professora refere que podem entrar, picar o ponto, sentar-se em frente a um computador e passar horas sem fazer praticamente nada. Isto demonstra, na sua óptica, que essa medida não garante controlo sobre o desempenho da classe. Pelo que, diz, os aspectos elencados deveriam ser analisados de forma adequada antes da tomada de decisão.

A medida, conforme um terceiro docente abordado pelo Mindelinsite, está a criar um clima de insatisfação interna. Isto porque, diz, a UniPiaget pretende tratar a classe docente como trabalhadores mecânicos, que executam basicamente as mesmas tarefas. “Fizemos uma reivindicação sobre esta matéria, a administração recorreu a um conjunto de outras iniciativas e conseguiu levar adiante a medida, que entra em vigor no dia 1 de setembro. Há vários professores insatisfeitos, mas outros que não se pronunciam por diferentes motivos: há aqueles que são novos na instituição e há reformados que não aderem a essa contestação”, informa.

Alguns colegas, adianta esta fonte, falaram em boicotar a medida, mas deixa claro que são obrigados a picar ponto porque a medida teve o apoio da própria Direção-Geral do Trabalho. Logo, quem negar, pode sofrer consequências.

No geral, os docentes abordados pela nossa reportagem consideram a decisão uma falta de confiança da universidade nos seus professores. Salientam que nas outras administrações os docentes-investigadores tinham mais autonomia na organização das suas tarefas, sem que isso interferisse no funcionamento da instituição. Agora, dizem, a administração e a reitoria implementaram um regulamento interno, que determina que os docentes a tempo integral têm de cumprir sete horas dentro do espaço académico. “A questão central permanece: o que deve ser medido – a presença física ou o trabalho efectivamente realizado?”, pergunta uma professora. A mesma sublinha que a UniPiaget resolveu tomar a medida numa altura em que escasseia alunos, enfrenta dificuldades financeiras e corre o risco de perder docentes.

A nossa redação abordou a Universidade, mas fomos informados que a administradora está em gozo de férias, pelo que poderá reagir mais tarde.

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