“Pa Sirvi Povo” promove Mega Bazar Social na Escola Salesiana

A iniciativa Pa Sirvi Povo, promovida pela sociedade civil, sobretudo por jovens e com grande participação de voluntários, realiza este sábado, 22, um Mega Bazar Social, destinado a famílias de em situação de vulnerabilidade. Depois de passar por vários bairros de S. Vicente e antes de avançar para Santo Antão e São Nicolau, o bazar chega à Escola Salesiana do Mindelo, considerado pelo promotores um ponto central com potencial para congregar todas as comunidades da ilha do Porto Grande.

Em conversa com o Mindelinsite, o artista Batchart, um dos rostos desta organização, informa que a atividade começa às 10h00 e vai disponibilizar gratuitamente roupas e calçado, permitindo que cada família beneficiária escolha os artigos de que realmente necessita. Para ter acesso ao bazar, é obrigatória a inscrição, que decorre nos dias 20 e 21 de agosto, das 09h00 às 18h00, no Teatro da Escola Salesiana de Artes e Ofícios de São Vicente.“Podem inscrever-se famílias alistadas no Cadastro Social Único, pertencentes aos grupos 1 e 2 e, em casos justificados, ao 3”, informa Batchart, indicando que, no ato da inscrição, é necessário apresentar a certidão do Cadastro Social Único e o documento de identificação do responsável do agregado familiar. 

Caso este não possa comparecer, esclarece, poderá ser representado por outra pessoa, que deverá apresentar os documentos do agregado e o seu próprio documento de identificação. “Apenas uma pessoa por agregado familiar poderá efetuar a inscrição e que nenhuma família será beneficiada sem inscrição prévia”, detalha, realçando quea edição deste ano apresenta uma abrangência maior, estando aberta a qualquer pessoa que cumpra os critérios de inscrição e elegibilidade definidos para a iniciativa.

Este Bazar Social itinerante, refira-se, já passou por pelo menos nove bairros de São Vicente, designadamente Vila Nova (Lombo Tanque, Vila Nova e Cruz Papa), Ribeirinha, Espia, Bela Vista, Pedra Rolada, Monte Sossego, Salamansa, Iraque (Aldeamento Rosário, Iraque e Ribeira de Julião), Chã de Marinha. E agora chegou ao centro da cidade, nos Salesianos.“Pa Sirvi Povo é mais do que distribuição. É a tradução da ideia de que solidariedade pode ser feita de forma organizada. Aquilo mobilizamos, conseguimos organizar e transformar em resposta concreta para o próprio povo”, especifica o músico. 

Triagem e voluntariado

Os bazares, afirma, são realizados normalmente nas escolas dessas comunidades, mas até a sua realização demanda um longo trabalho de triagem, que conta com a participação de muitos voluntários. “Sem pessoas para fazerem a triagem, não conseguimos fazer as doações porque precisamos abrir as caixas e bidões e separar os produtos. Este trabalho é feito por voluntários que diariamente desloca ao armazém para garantir uma boa organização. Este trabalho vem sendo feito desde janeiro deste ano.”

E isso porque, explica, houve alguma demora no desalfandegamento dos cinco contentores de 40 toneladas com donativos provenientes sobretudo dos Estados Unidos, remetidos para este projecto, que está a funcionar de forma ininterrupta desde novembro do ano passado. De lá para casa, segundo Batchart, foi preciso resolver toda a parte burocrática e mobilizar parceiros, arcar com custos de armazenamento e segurança. “Temos vindo a fazer uma especia de diplomacia através da apresentação dos nosso projecto para diferentes parceiros. Muitas pessoas pensam que sou o promotor deste projecto. Sou apenas um dos rostos da organização. A minha ideia com esta iniciativa é fazer as pessoas entenderem a importância da participação cívica.” 

Paralelamente, Batchart exalta o papel das organizações comunitárias, que, diz, têm sido fundamentais nos trabalhos. “Sem estas organizações seria muito mais difícil fazer este trabalho. São eles que nos ajudam a organizar os bazares, apoiam na divulgação e mobilização dentro das comunidades, identificam as pessoas contemplados nos casos excepcionais. O projecto vai sempre para uma zona diferente e contamos com estas organizações focais que são a nossa porta de entrada para as comunidades.”

Instado se este processo fecha na Escola Salesiana, este ativista informa que vão expandir para as ilhas de Santo Antão e São Nicolau. “O Bazar da Escola Salesiana é uma parte importante dentro deste processo. Estamos a trabalhar de forma incessante para fazer com que os donativos cheguem aos que dele necessitam. Roupas e calçados constituíram cerca de 80% dos donativos que recebemos. Sabemos que há donativos armazenados por dificuldades de logística. É preciso recursos financeiros para oferecer algum suporte aos voluntários, designadamente alimentos e outros meios, mas também para garantir a sua segurança.”

Batchart rejeita, por outro lado, a ideia de se deslocar à uma comunidade e colocar os produtos no chão para as pessoas recolherem. “Pode ser uma saída mais rápida, mas cria mais caos e também não oferece dignidade. Optamos por fazer algo mais organizado, mas isso leva mais tempo e enfrentamos dificuldades enormes com a falta de recursos. Muitas pessoas pensam que uma iniciativa social não precisa de grandes recursos”, desabafa. 

Apesar de cansativo, Batchart garante que tem sido um trabalho gratificante e prazeroso. Basta dizer que, neste momento, o projecto tem no terreno cinco organizações a distribuir os donativos de forma incansável por todo S. Vicente. Este aproveita para alertar as instituições, organizações, pessoas individuais, Poder Local e Central para terem noção que há ainda muito por fazer.

 

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