O cidadão e ativista comunitário Emiliano “Djidjuca” Santos procurou o Mindelinsite para manifestar preocupação com o início das obras num terreno conhecido como “Campinho ka Gadji”, na cidade de Sal Rei, ilha da Boa Vista, defendendo que o espaço, anteriormente utilizado para atividades desportivas, culturais e recreativas, deveria ter sido preservado como área pública.
Em declarações, Djidjuca Santos afirmou que o terreno, localizado nas proximidades da Conservatória dos Registos e Notariado, teria sido vendido pela Câmara Municipal da Boa Vista durante a presidência de José Pinto Almeida, num processo que, segundo disse, remonta ao início dos anos 2000. Conta que o espaço era utilizado para a prática de desporto, realização de festas municipais, feiras e outras atividades comunitárias, tendo existido, na altura, alguma contestação à alegada alienação do terreno.
Entretanto, os rumores nunca foram esclarecidos e, no inicio desta semana, iniciaram-se obras neste espaço que, de acordo com as informações de que dispõe, destinam-se à construção de um hotel por investidores chineses. Por isso, questiona a legalidade e a transparência do processo, defendendo que a população precisa ser informada sobre a data da venda do terreno e os moldes em que a transação foi realizada. “Gostaria de saber em que ano o terreno foi vendido e em que condições isso aconteceu”, afirmou, justificando que existem muitas situações anómalas na ilha relacionadas com terrenos que merecem maior fiscalização.
Para Djidjuca, a perda do espaço representa um prejuízo para a população, sobretudo para crianças e jovens que utilizavam o local para atividades desportivas. “Neste momento estamos na onda dos Tubarões Azuis e todas as crianças querem praticar desporto e seguir o exemplo dos nossos jogadores. Entretanto, estamos a reduzir os espaços de lazer e de prática desportiva“.
O ativista criticou ainda o silêncio das autoridades perante o início das obras e defendeu que a cidade de Sal Rei dispõe de poucos espaços públicos destinados ao lazer e ao convívio da população. Apelou, por isso, ao Governo para promover uma inspeção relacionada com a gestão de terrenos na Boa Vista, alegando existirem situações que, no seu entendimento, devem ser averiguadas.
Djidjuca recordou que, quando surgiram os primeiros rumores sobre a venda do terreno, um grupo de moradores promoveu um abaixo-assinado para contestar a decisão. No seu caso, afirma, sempre participou em iniciativas cívicas ligadas ao desporto e à defesa do ambiente, referindo ter integrado, no passado, a direção da Académica e movimentos em defesa da orla marítima.
Na sua perspetiva, a atual Câmara da Boa Vista poderia ter procurado uma solução para preservar o espaço, mesmo tratando-se de um processo iniciado há muitos anos. Como alternativa, sugeriu que o município negociasse com os promotores do projeto a atribuição de um outro terreno para a construção do empreendimento, mantendo o “Campim ka Gadji” como espaço público.
O Mindelinsite tentou a atual gestão municipal, mas foi impossível. Até ao momento, não é conhecida uma posição oficial da Câmara Municipal da Boa Vista nem dos promotores da obra sobre as alegações apresentadas pelo ativista.
