Gilson Alves está interdito de sair de Cabo Verde e impedido de proferir discursos do teor da polémica entrevista concedida à TCV, na qual afirma que, se for eleito Presidente da República, vai instaurar um regime autoritário em Cabo Verde e promover a pena de morte para Juízes, Procuradores e polícias “corruptos”. Estas medidas de coação foram decididas ontem pelo Tribunal da Comarca de São Vicente, após a sua detenção pela Polícia Judiciária na ilha de Santo Antão a mando do Ministério Público.
Conforme a leitura da Procuradoria-Geral da República, Gilson Alves terá proferido afirmações na reportagem emitida no dia 16 de fevereiro susceptíveis de consubstanciar incitamento ao uso da força, defesa de instauração de um regime autoritário e apelo à adopção de medidas violentas contra determinadas categorias profissionais e instituições da República. “Acresce que, no referido vídeo, são visíveis indivíduos encapuzados empunhando armas brancas, circunstância que, em conjugação com o teor das declarações proferidas, reforça o carácter intimidatório da mensagem e potencia o risco de perturbação da ordem pública”, sublinha a PGR em comunicado.
Segundo a Procuradoria-Geral, foi ordenada a detenção do suspeito fora de flagrante delito atendendo à natureza e gravidade dos factos, aos perigos de perturbação da instrução do processo e conservação da prova, além de eventual fuga e continuação da atividade criminosa. Apresentado ao Tribunal de S. Vicente, Gilson Alves recebeu como medidas de coação a interdição de saída do país, proibição de contacto e suspensão do direito de proferir discursos do teor da entrevista concedida à TCV.
