A cirurgia a um tumor ósseo no braço direito realizada ontem ao adolescente Dário Tavares no Senegal foi bem-sucedida, mas os médicos tiveram que amputar o membro para lhe salvar a vida. A informação foi avançada pelo Projecto Zé Luís Solidário, tendo o mentor assumido num post nas redes sociais que recebeu a notícia com um “suspiro de gratidão”, mas sem poder ignorar o peso da realidade – a eliminação do braço.
“É este o sentimento agridoce que nos invade — uma mistura de alegria por saber que o tumor já não dita o seu destino e a tristeza natural de ver um menino tão jovem enfrentar uma perda tão definitiva”, desabafa o responsável do projecto. Porém, adianta, por mais dura que seja a adaptação, a vida vale infinitamente mais do que qualquer membro.
José Luís Martins recorda que o adolescente de 13 anos, natural de Santa Cruz, passou demasiado tempo “cativo da dor”, limitado pela doença e confinado a uma cama que lhe roubava a infância. A partir de agora, acrescenta, o cenário muda drasticamente porque está livre do sofrimento constante.
“Viver sem dores e ter a oportunidade de voltar a levantar-se, de caminhar e de sonhar com o amanhã é o maior presente que a medicina e a solidariedade lhe poderiam entregar”, enaltece o activista, para quem Dário Tavares é um “guerreiro silencioso” que, mesmo nos momentos mais críticos, mostrou uma força que envergonha as “nossas pequenas queixas diárias”. Por isso, diz, tem a certeza de que ele conseguirá adaptar-se à nova condição com a mesma coragem com que enfrentou o hospital e que vai continuar a contar com o apoio do projecto durante a reabilitação.
Diagnosticado no ano passado com um tumor ósseo, Dário Tavares parecia estar condenado a viver para sempre com a doença, em Cabo Verde. Em entrevista à Inforpress, a directora clínica do Hospital Agostinho Neto chegou a afirmar que a gravidade da situação clínica devia-se ao estado avançado da patologia e que os exames e as consultas feitas com especialistas portugueses – incluindo a equipa de oncologia pediátrica do Hospital IPO de Lisboa – confirmaram que a doença não permitia uma abordagem curativa, mas apenas paliativa. “O caso foi submetido a múltiplas juntas médicas nacionais e internacionais. A conclusão foi apontada para cuidados paliativos após a detecção de uma fractura patológica que revelou a gravidade da doença”, disse na altura, perante uma forte pressão nas redes sociais sobre a abordagem médica ao caso versus a qualidade do serviço da saúde pública no país.
Face ao diagnóstico, questionada se a saída do paciente para Senegal ajudaria a resolver o caso, a especialista em Oncologia, segundo a Inforpress, respondeu negativamente, devido ao estágio avançado da doença. A médica disse, no entanto, que respeitava o desejo e a decisão familiar.
Uma medida, assumida com a dianteira do Projecto Zé Luís Solidário, que restituiu a esperança de vida a um adolescente que estava confinado a uma cama, a conviver diariamente com a dor. Segundo José Luís Martins, após a operação, Dário Tavares acordou bem e consciente e salientou que ontem, pela primeira em um ano, sentia-se livre da dor.
