Contabilista decide autofinanciar tratamento em PT, mas fica “defraudado” com decisão do INPS de não comparticipar nos custos

O contabilista Pedro Carvalho da Cruz confessou à reportagem do Mindelinsite estar profundamente defraudado com o INPS por esta instituição negar assumir qualquer comparticipação financeira, caso opte ir por conta própria a Portugal para tratamento médico. Inconformado com a demora no agendamento da evacuação, decidiu pedir um financiamento bancário para ir resolver um problema de desgaste de cartilagem nos dois joelhos, na cidade do Porto. O expediente junto ao banco está a decorrer normalmente, mas, para seu desalento, foi informado pela responsável do departamento de evacuação do INPS que a previdência social não poderá comparticipar nos custos, como atestam emails trocados.

“Após 45 anos a descontar para o INPS, sinto-me defraudado com o tratamento que tenho estado a ter”, confessa Pedrosa, como é conhecido no meio mindelense, que denuncia os constrangimentos enfrentados pelo cidadão cabo-verdiano quando quer cuidar da sua própria saúde. No seu caso, adianta, o desgaste de cartilagem nos dois joelhos tem-lhe provocado dores e diminui paulatinamente a sua capacidade de locomoção, mas tem de ficar refém do sistema de evacuação.

Professor de Yoga, Pedro Carvalho diz saber que o INPS não tem poder de decisão nos processos de evacuação médica, que passaram a ser resolvidos directamente entre os ministérios de Saúde de Cabo Verde e Portugal. Embora ciente deste aspecto, a sua esperança era que a Previdência Social pudesse comparticipar nas despesas dos utentes dispostos a custear parte do tratamento médico. Salienta que este tipo de iniciativa diminui os encargos ao próprio INPS e alivia a fila de espera, por isso diz não entender como o sistema nega ajudar.

“Repare, um cidadão toma a iniciativa de solicitar um financiamento bancário para acelerar o seu tratamento, mas esbarra-se com esta postura de uma instituição que recebeu durante mais de 40 anos os seus descontos que, a priori, deveriam servir para uma situação destas. Perante esta recusa, pergunto de que vale estarmos a descontar para a previdência social”, comenta esse cidadão reformado em maio de 2025 e cuja junta médica foi aprovada pelo INPS em agosto de 2024.

Desde esta última data que Pedroza aguarda para saber quando será evacuado, processo que, lembra, depende dos ministérios da Saúde de Cabo Verde e Portugal. Entretanto, diz, a sua capacidade de locomoção vai-se degradando a cada dia.

Segundo Pedro Carvalho, ficou a saber da sua situação clínica após fazer uma avaliação médica em Portugal em março de 2024. O resultado indicou na altura que a cartilagem do joelho esquerdo estava totalmente desgastada. De regresso a Cabo Verde, realizou novas consultas que confirmaram esse diagnóstico e deram lugar a uma Junta Médica para evacuação. Entretanto, o mesmo problema está agora a afectar o outro joelho, o que tem dificultado grandemente a sua capacidade de caminhar.

Disposto a recuperar a sua saúde, tomou a iniciativa de solicitar um financiamento bancário, que já mereceu deferimento. Entretanto, pediu uma actualização de um orçamento feito pelo hospital de São João para tratamento de apenas um dos joelhos e que ascendeu a 7.500 euros. Agora precisa tratar os dois joelhos, pelo que os custos podem duplicar. Isto sem contar a viagem e permanência em Portugal.

A sua esperança era que o INPS pudesse diminuir o impacto dos gastos financeiros, tendo em conta os 45 anos de descontos. Mas, como comprovam os emails trocados com a responsável do departamento de evacuação, o instituto não irá abrir a bolsa. Mesmo assim, tenciona viajar no mês de abril às suas custas.

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