Comissão Diocesana apela as autoridades centrais e municipais para protegerem os centros urbanos dos impactos das tempestades

A Comissão Diocesana Justiça e Paz da Diocese de Santiago lançou um apelo às autoridades centrais e municipais para criarem infraestruturas adequadas que protejam os centros urbanos de C. Verde dos graves impactos das tempestades e chuvas intensas. Tendo como espelho os dramas vividos em 2025, principalmente em S. Vicente e no interior de Santiago, a organização lembra que esses temporais colocaram a nu a vulnerabilidade das cidades e que a tendência aponta para que eventos climáticos extremos se tornem cada vez mais frequentes. Deste modo, diz, é premente que se dê uma atenção particular e prioritária ao assunto e, sobretudo, às consequências desses eventos nos concelhos com maior crescimento populacional.

“Note-se que boa parte da população vive em áreas de risco, em bairros desordenados e habitações edificadas fora de quaisquer planos urbanísticos, construídas nas encostas e leitos das ribeiras, sem qualquer rigor técnico que garanta que não desabam com uma pequena chuva ou tremor de terra”, pontua a CDJP. Segundo a comissão, é preciso olhar com atenção o quadro atual, sobretudo das cidades, e o Governo e as Câmaras Municipais devem ter a coragem política para eliminar ou, pelo menos, diminuir os riscos de uma nova tragédia. Entende que tais acontecimentos evidenciam a vulnerabilidade dos centros urbanos de Cabo Verde e a necessidade de uma resposta conjunta e eficaz.

Face à realidade acima exposta, a Comissão Diocesana Justiça e Paz apresenta as seguintes sugestões: a criação de mecanismos de alerta de eventos meteorológicos extremos; identificação das áreas de risco; sinalização de rotas de fuga e pontos de encontro que servirão de abrigo às pessoas; criação de infraestruturas adequadas, nomeadamente sistemas de drenagem eficientes e eficazes de desobstrução dos caminhos da água; construção de calçadas permeáveis que permitam a infiltração da água e consequentemente a redução do caudal das cheias; a arborização das encostas para ajudar na retenção das enxurradas.

“A sociedade civil, através de campanhas de conscientização que promovam a cultura de responsabilidade partilhada na proteção do ambiente e na proteção dos mais vulneráveis, deve ser treinada para estar preparada para lidar com situações de catástrofes e tempestades e poder colaborar de forma eficaz com as entidades públicas”, reforça a referida comissão. Na sua visão, é fundamental que o planeamento urbano seja orientado por critérios de sustentabilidade e respeito pelo meio ambiente, prevenindo, assim, os impactos negativos das chuvas intensas.

Esse organismo frisa que o ambiente urbano saudável é um direito de todos e uma responsabilidade coletiva e se mostra disposto a dar o seu esforço para a construção de centros urbanos mais seguros, justos e sustentáveis. A comissão reafirma o seu compromisso com a justiça ambiental e social, apela à compaixão para com os mais vulneráveis e coloca-se à disposição para colaborar com todas as iniciativas que visem reduzir o risco de catástrofes e a proteção dos mais vulneráveis e do meio ambiente.

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