Médicos, enfermeiros, auxiliares e cidadãos concentraram-se esta sexta-feira em frente ao Hospital Baptista de Sousa (HBS), em São Vicente, para manifestar solidariedade ao médico ortopedista Tito Rodrigues, recentemente afastado dos cargos de director do Serviço de Ortopedia e de presidente da Junta de Saúde de Barlavento. Os participantes empunharam cartazes e aplaudiram o médico, mas também criticaram abertamente as medidas adotadas pelo Ministério da Saúde e pela administração do hospital.
Em declarações à imprensa, o secretário nacional do Sintcap, Luís Fortes, considerou que Tito Rodrigues foi afastado das funções “de forma abusiva” e acusou o Ministério da Saúde de tratar injustamente um profissional que tem dado contributos relevantes à saúde em Cabo Verde e ao HBS. “O Dr. Tito está a ser maltratado pelo Ministério da Saúde, por isso esta manifestação de indignação, revolta e repudio às medidas anunciadas. É sabido a nível de S. Vicente e nacional quem é o Dr. Tito e o que ele tem feito para a Saúde em Cabo Verde e para o Hospital Dr. Baptista de Sousa,”, afirmou Luís Fortes.
Para este dirigente sindical, o médico apenas exerceu o direito de questionar internamente informações divulgadas na comunicação social sobre a alegada transferência de equipamentos hospitalares para a ilha da Boa Vista. “Enquanto profissional de saúde e director de serviço, ele tinha todo o direito de pedir esclarecimentos sobre decisões relacionadas com o hospital”, reforçou Luís Fortes, aproveitando para criticar o que classificou como uma atitude “arbitrária e ditatorial” da tutela.
Este alertou ainda para as dificuldades estruturais e de equipamentos enfrentadas pelo hospital, defendendo que estes materiais poderia minimizar parte dos problemas existentes no bloco operatório. “O MS foi rápido em mandar suspender este profissional das suas funções e ainda com ameaça de processo disciplinar. Com tanta pressa, acabaram por cometer erros porque não podem demitir o Dr. Tito da Junta de Saúde de Barlavento, que é uma entidade independente e o presidente é nomeado pelos colegas .”
Também o médico João Medina defendeu que os profissionais da saúde devem ser tratados com respeito e dignidade, considerando que Tito Rodrigues não merecia o tratamento que lhe foi dado. “A justiça fez-se nesta manifestação de apoio. A resposta está aqui, de forma pacífica”, declarou. Já Conceição Pinto explicou que aderiu ao protesto em solidariedade ao médico e em defesa das condições do hospital.
Esta antiga profissional da instituição, afirmou que o HBS funciona “no limite mínimo” em termos de equipamentos e materiais. “O hospital funcionou sempre no limite mínimo e o Dr. Tito é conhecedor da situação do Bloco Operatório. Questionou os seus superiores perante a injustiça e irresponsabilidade de retirar equipamentos daqui para enviar para outra ilha.” Conceição Pinto defendeu, por outro lado, que retirar equipamentos de São Vicente, sem que existam condições plenamente asseguradas para o funcionamento de um bloco operatório na outra ilha, é uma irresponsabilidade.
A manifestação foi promovida pelo movimento cívico Sokols. O seu líder, Salvador Mascarenhas, explicou que a iniciativa surgiu após várias manifestações de indignação da população perante o afastamento do médico. Segundo Mascarenhas, Tito Rodrigues limitou-se a solicitar esclarecimentos internos ao Conselho de Administração do hospital, negando qualquer envolvimento na divulgação de informações à imprensa.
