O relatório do inquérito técnico-administrativo ao acidente rodoviário ocorrido a 5 de Setembro, na ilha do Fogo, aponta a falha total do sistema de travagem como causa directa e determinante da tragédia que provocou 25 mortos e 13 feridos. O documento foi apresentado esta segunda-feira, 12 de outubro.
A investigação concluiu que o desastre, ocorrido na zona de Ribeira Lachido, no troço entre Chã das Caldeiras e Campanas de Cima, resultou de uma combinação de factores mecânicos, rodoviários e administrativos. Segundo o relatório, a viatura transportava 38 passageiros, apesar de ter capacidade para apenas 30. Foram também identificados o sobreaquecimento
e o desgaste dos travões, alterações artesanais no sistema de travagem e anomalias no sistema direccional.
O inquérito constatou ainda que a inspecção do veículo estava caducada desde 28 de Fevereiro de 2026 e apontou a falta de barreiras de protecção na estrada como uma vulnerabilidade. Quanto ao condutor, foram afastadas as hipóteses de negligência voluntária e de uma crise hipoglicémica incapacitante.
Entre as recomendações apresentadas estão o reforço da fiscalização rodoviária, a instalação de um centro de inspecção permanente na ilha, a introdução de tacógrafos digitais e o controlo do número de passageiros. O relatório defende igualmente uma formação mais especializada dos condutores.
O acidente aconteceu durante um passeio com jovens estudantes e outros passageiros, quando o autocarro saiu da estrada e caiu de uma altura de cerca de 30 metros. Na sequência da tragédia, a comunidade tem recebido apoio psicológico, incluindo no meio escolar.
Ronice Fortes (Estagiária)
