Denise Oliveira Centeio*
Nesta semana em que se celebram, simultaneamente, duas efemérides – o Dia Mundial da Saúde (07 de abril), sob a égide do lema “Não há saúde sem ciência”, e o Dia Nacional do Psicólogo (11 de abril) -, vejo uma excelente oportunidade para consciencializar a população de que “Não há saúde psicológica sem ciência”.
Vivemos tempos em que a saúde psicológica tornou-se uma pauta central dos media tradicionais: desde as conversas de café, às redes sociais e outras plataformas digitais, passando pela atenção das empresas, sobretudo desde 2024, sob o impulso do tema central do dia mundial da saúde mental “É Hora de Priorizar a Saúde Mental no Local de Trabalho”. Recentemente até foi uma prioridade central do Governo de Cabo Verde, com a declaração de “2024, Ano da Saúde Mental”.
Embora saibamos que ainda há uma longa jornada a ser trilhada, verificamos que, de um silêncio quase absoluto, a saúde psicológica passou a ser tema de grande consumo no nosso país, como inclusive se denota no mundo inteiro.
Essa incrível mudança, fruto de vários fatores, com destaque para o acesso à informação, a quebra de tabus e estigma, a própria definição da saúde, a visão holística da saúde, a ideia de que não há saúde sem saúde mental, o impacto da pandemia da COVID-19 e o impacto do mundo contemporâneo, reflete um progresso histórico e sociocultural profundo e necessário, e trouxe, reconhecidamente, maior visibilidade dos profissionais de saúde psicológica – Psicólogos e Psiquiatras – e, consequentemente, uma maior procura e valorização dos seus serviços.
Não obstante, abriu espaço para o fenómeno do “intrusismo profissional”, especialmente dos “pseudopsicólogos”. Ou seja, pessoas sem competências técnicas e científicas adequadas, e sem rigor ético, que se intitulam “terapeutas” e que encontraram na saúde psicológica e no adoecer psíquico um “mercado lucrativo”.
Mas a saúde psicológica não é um negócio de venda. É uma área sensível da saúde que exige ciência e responsabilidade. E é aqui que entra a relevância do “Não há saúde psicológica sem ciência”.
A complexidade da mente humana, dos processos mentais, do comportamento e dos problemas de saúde psicológica exige um olhar profundo e rigoroso, e a intervenção nesses domínios exige método científico e competências técnicas e científicas que resultam da aquisição de conhecimento por muitos anos de investigação, estudo e constante atualização.
Portanto, cursos adquiridos em algumas horas ou formações livres em terapia holística, ou terapias alternativas, não substituem a Ciência Psicológica. É a este aspeto que a população deve prestar atenção.
Além disso, importa referir que os profissionais de saúde psicológica atuam mediante um conjunto de princípios éticos e podem ser responsabilizados por más práticas pela sua Ordem.
Diferente da pseudociência que pode divulgar informação pseudocientífica e utilizar práticas infundadas, com oferta de soluções rápidas e promessas de “curas milagrosas” para situações que exigem uma abordagem científica, profunda e multiprofissional. É claro que isso resulta em sérios prejuízos para a saúde psicológica de quem procura ajuda e ameaça a Saúde Pública; sem, no entanto, haver possibilidade de apresentar queixas de más práticas, por operar num vazio regulatório.
Que fique claro que a saúde psicológica também é resultado direto do conhecimento científico aplicado com ética e rigor.
Que fique claro que a PsicoLogia é uma ciência fundamentada em evidência científica, garantindo intervenções confiáveis, seguras e eficazes, com impacto positivo na Saúde Pública.
“Não há saúde sem ciência, e na ciência, os especialistas não proliferam como cogumelos.”
*Psicóloga Clínica e da Saúde
