– Paulino Dias –
…sem criatividade hoje, entristecido que estou pelos silêncios desumildes e pelos barulhos sem substância, só me resta, em singela homenagem pessoal e à laia de agradecimento a todos os heróis que ao longo da nossa História ajudaram a moldar este país, partilhar este post que escrevi em junho de 2021 aquando de uma visita ao local onde Amílcar Cabral foi assassinado há 53 anos (link no primeiro comentário). Também como um modesto convite à reflexão, a quem tiver paciência de ler até o fim…
Dói ver este reduzir-se as nossas datas-referências a propriedade privada deste ou daquele partido, enaltecidas umas e desmerecidas outras conforme quem, circunstancialmente esteja no poder. Nossas datas-referência usadas como selos de catalogação e instrumentos de divisão, em vez de momentos de reflexão coletiva e espaços de partilha e consolidação de valores comuns.
Não: o 13 de Janeiro não é o Dia do MPD e o 20 de Janeiro não é o do PAICV. Ou ao menos não deveriam ser. São dias para nos lembrar valores, ideais transformadores, bandeiras que se quer coletivas e orientadoras de atitudes e comportamentos: o valor dos direitos individuais e a ética democrática – com o respeito às diferenças como sua pedra basilar, como escrevi há dias -, associados ao 13 de janeiro, e o altruísmo, o sentido de Pátria e o consentir-se sacrifícios em prol de uma causa coletiva, associados ao 20 de janeiro. Muitíssimo bem esteve o anterior Presidente Jorge Carlos Fonseca que, interpretando assim estas duas datas, uniu-as no conceito de “Semana da República”, conferindo-lhes, ambas, importância republicana e estatutos de símbolos identitários da Nação Cabo-verdiana. Palmas!!!
À semelhança do 13 de janeiro na semana passada, o dia de hoje, 20 de janeiro, em particular, deveria ser para refletirmos sobre valores como o altruísmo, o patriotismo, o respeito e a defesa do “bem comum” como pano-de-fundo essencial para a realização dos nossos direitos individuais. Só nos realizamos como indivíduos, num dado contexto social – seja este contexto a rua onde moramos, o bairro em que vivemos ou a nação com que nos identificamos, com os seus outros indivíduos, seus valores partilhados e suas normas, seus recursos. Reconhecer a importância do coletivo, do grupo, enfim, da PÁTRIA/”MÁTRIA” – e lembrar os que, altruisticamente, consentiram sacrifícios individuais em prol deste coletivo -, não é, portanto, anular ou desmerecer o indivíduo: é, pelo contrário, valorizar o contexto necessário para que este se realize enquanto SER HUMANO.
Numa altura em que o egoísmo à moda ‘selfie sexy’ tende a ser cada vez mais a norma orientadora de comportamentos – o “eu” como fonte legitimadora, instrumento e objetivo central (e único?) das nossas ações individuais -, o dia de hoje deveria ser um convite para pensarmos o outro, o coletivo, a nação-mátria. De refletirmos e avaliarmos o que cada um de nós está a fazer para contribuir DE FACTO para esta nação, de forma altruística e desinteressada – como o fizeram os muitos Heróis que, ao longo da nossa História, sacrificaram seus objetivos individuais em prol de um bem comum, de uma bandeira coletiva. O dia de hoje deveria ser para nos inspirarmo-nos, pensarmos o outro, e abraçarmo-nos uns aos outros e, assim, tornarmo-nos coletivamente mais fortes e resilientes. Não deveria ser um dia de partidarites agudas e ideologias fraturantes…
Feliz Dia dos Heróis Nacionais, bráça patrioticamente grrotchóde pa bsot tud!
