Conhecer para poder exigir – Formação obrigatória

Paulo Brito

Existe uma frase que deveria ser levada muito a sério por todos os profissionais de segurança privada: “Quem não conhece os seus direitos dificilmente os consegue defender, quem não conhece os seus deveres dificilmente consegue exigir respeito pela sua profissão.”

O conhecimento é uma das ferramentas mais importantes que um profissional pode ter, não apenas porque permite trabalhar melhor, mas porque proporciona autonomia, segurança e capacidade de decisão. Um profissional que conhece a sua atividade sabe aquilo que pode fazer, aquilo que não pode fazer e, sobretudo, sabe quais são os limites da sua intervenção, consegue distinguir uma ordem legítima de uma ordem inadequada, compreende as suas responsabilidades e sabe quando uma determinada situação deve ser comunicada ou encaminhada para quem tem competência para atuar.

Conhecer os próprios direitos também é fundamental, um trabalhador informado está mais preparado para identificar situações irregulares, questionar decisões, procurar os mecanismos adequados para apresentar uma reclamação e defender a sua dignidade profissional. Não podemos exigir respeito pela profissão se não respeitarmos a própria profissão, não podemos exigir melhores condições se não estivermos dispostos a cumprir corretamente as nossas responsabilidades, e não podemos exigir reconhecimento enquanto continuarmos a tratar a formação, os procedimentos, a legislação e a atualização profissional como assuntos secundários.

A Segurança Privada precisa de profissionais mais informados, mais conscientes e mais preparados, profissionais que não dependam exclusivamente daquilo que alguém lhes diz, mas que tenham capacidade para procurar informação, estudar, questionar e compreender a realidade da sua profissão. Não basta reclamar dos salários, das condições de trabalho, das empresas ou da falta de reconhecimento, muitas destas reivindicações podem ser perfeitamente legítimas, no entanto, uma reivindicação torna-se muito mais forte quando é sustentada por conhecimento, argumentos e profissionalismo.

Um setor forte constrói-se com trabalhadores que conhecem a sua profissão, que sabem quais são os seus direitos e deveres, que compreendem os limites da sua atuação e que têm capacidade para questionar aquilo que consideram incorreto. Significa perguntar quando existe uma dúvida, procurar esclarecimento quando uma situação não é clara e não aceitar como normal aquilo que pode estar incorreto, um profissional consciente não é aquele que aceita tudo sem pensar, é aquele que conhece suficientemente a sua função para saber quando deve cumprir, quando deve perguntar e quando deve dizer que determinada situação ultrapassa os limites da sua atuação.

Cada trabalhador tem a responsabilidade de conhecer melhor a atividade que exerce, tem a responsabilidade de procurar informação, manter-se atualizado, compreender as suas funções e conhecer os limites da sua atuação, um setor constituído por profissionais informados é um setor com maior capacidade para se afirmar, defender os seus interesses e exigir o respeito que merece. Enquanto existir um desconhecimento generalizado sobre aquilo que é a segurança privada, sobre o que significa ser profissional de segurança e sobre os direitos e deveres inerentes à atividade, será difícil combater a desvalorização do setor.

É urgente refletir sobre o que queremos para o setor da segurança privada.

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