O nadador Xavier Garcia, representante da ilha do Maio, venceu este sábado a prova de Master da II Volta Djéu Cabo Verde e a XII de São Vicente, ao completar o percurso de 2,8 quilómetros, entre Lajinha e Djéu com o tempo de 1 hora e 53 minutos. Bruno Fernandes (Santiago) classificou-se em segundo com o tempo de 1 hora e 58 minutos de David Monteiro (S. Vicente) em terceiro com o tempo de 2 horas e sete minutos.
A prova, marcada por forte ondulação e correntes marítimas, levou os atletas a enfrentarem condições exigentes e pelo menos quatro desistiram. Xavier Garcia, que participou pela segunda vez na competição em São Vicente, mostrou-se satisfeito com o resultado, depois de na primeira ter terminado na terceira posição. “Hoje a prova foi muito dura por causa das correntes e das ondas. Fiz o tempo de 1h53 e estou muito satisfeito”, afirmou.
O segundo atleta a cortar a meta foi Bruno Fernandes, representante de Santiago, com o tempo de 1 hora e 58 minutos. O atleta considerou a prova “muito difícil”, sobretudo devido à ondulação, mas destacou a adrenalina e o contacto com a natureza como parte da motivação para participar. Fernandes, que já participou em pelo menos seis Volta Djéu, disse que tinha como principal objetivo nesta edição alcançar um lugar no pódio, meta que conseguiu concretizar. “Estou satisfeito e agradeço a Deus e à minha família”, disse, lamentando, contudo, a ausência de atletas do Sal e da Boa Vista, habituais candidatos aos primeiros lugares.
O terceiro lugar foi conquistado por David Monteiro, de São Vicente, com o tempo de 2 horas e 7 minutos. Para o atleta, que é o único participante presente em todas as 12 edições da competição realizadas na ilha do Porto Grande e das duas edições no novo formato, o resultado teve um significado especial. “Nesta versão competitiva, é a primeira vez que subo ao pódio em São Vicente. Já consegui nas outras ilhas, mas aqui a sensação é sempre melhor, porque estou na minha ilha”, afirmou.
Além de competir, David Monteiro integra a organização da Volta Djéu Cabo Verde, uma tarefa que considera exigente, mas que assume por gosto e pelo desejo de contribuir para o desenvolvimento da natação no país. “Organizar e participar não é fácil, mas faço isso por gosto, por todos nós, por Cabo Verde”, explicou, defendendo a necessidade de continuar a apostar na modalidade para criar melhores condições para os futuros nadadores.
Esta edição contou com 24 atletas, entre os quais 20 na categoria Master, sendo 18 homens e duas mulheres, além de participantes na categoria de veteranos. Contou com a participação de atletas provenientes das ilhas do Maio, Santiago, Sal, São Vicente e Santo Antão. Segundo a organização, a ausência de alguns atletas esteve relacionada com dificuldades de transporte, nomeadamente da Boa Vista, cujo representante não conseguiu deslocar-se a São Vicente. E teve ainda uma prova destinada aos nadadores Mirim.
As condições do mar condicionaram a prova e estiveram na origem da desistência de quatro atletas, dois homens e duas mulheres. Entre os desistentes esteve Alex Rocha, que abandonou a prova a cerca de 200 metros do Djéu. O atleta explicou que a força da corrente tornou praticamente impossível avançar. “Levantava a cabeça e a água batia no rosto. Dava braçadas e não avançava. A corrente estava muito forte”, relatou, acrescentando que, apesar de ser a sua segunda participação, encara a experiência como um desafio diferente, uma vez que normalmente pratica triatlo.
Luís Correia vence em Veteranos
Na categoria de Veteranos, que contou com três participantes — dois homens e uma mulher —, Luís Correia foi o vencedor, com o tempo de 50 minutos e 16 segundos. O atleta revelou que decidiu participar praticamente no último momento e sem preparação específica para a prova. “Não estava bem preparado, mas consegui e fiquei em primeiro lugar. É a primeira vez que venço esta corrida”, afirmou Correia, que participou pela terceira vez na prova.
Na segunda posição terminou Santiago Oliveira, com 53 minutos e 57 segundos. Esta foi também a sua terceira participação, sendo que, segundo o próprio, tem terminado habitualmente em segundo lugar, com exceção da etapa realizada na Boa Vista, onde conseguiu vencer. A terceira posição foi ocupada por Nilza Ramalho, com o tempo de 59 minutos e 16 segundos.
O percurso dos Veteranos teve 1,8 quilómetros, entre Lajinha e Ponta de Doca, em regime de ida e volta. Para Nilza Ramalho, esta terceira participação teve um significado particularmente especial, uma vez que decidiu dedicar a sua prestação à memória de um colega recentemente falecido. “Não foi fácil, mas esta prova teve um significado especial porque estou a prestar uma homenagem a um colega recém-falecido”, afirmou.
Desde o ano passado, a organização passou a estruturar a Volta Djéu Cabo Verde como uma competição por etapas. A edição anterior incluiu provas na Praia, Boa Vista, Sal e terminou em São Vicente. A intenção, disse David Monteiro, é alargar progressivamente a competição às restantes ilhas, consolidar as etapas existentes e elevar a qualidade organizativa e competitiva.
“Agora é cimentar, limar as arestas e melhorar, e levantar as fasquias em termos de qualidade”, explicou David Monteiro. A organização pretende, assim, reforçar a participação de atletas de diferentes ilhas e contribuir para o crescimento da natação em águas abertas em Cabo Verde.
