O grupo carnavalesco Vindos do Oriente prepara uma viagem pela história da humanidade, dos deuses e das civilizações antigas, tendo o perfume como fio condutor do seu desfile no Carnaval 2027. Com o enredo “Perfume – Uma fragrância intemporal”, o grupo promete transformar a Rua de Lisboa, em Mindelo, num cenário de aromas, memórias e sentidos. Sentidos que foram ativadas no decorrer da noite com o lançamento de duas fragrâncias próprias para venda.
A presidente do grupo, Dirce Vera-Cruz, que explicou que a escolha do tema está ligada a algo presente no quotidiano de todos, mas cuja história e significado vão muito além de um simples aroma agradável. “Perfume não é um simples frasco com um cheiro agradável. Tem uma história, que corresponde à história da humanidade”, sublinhou, defendendo que o perfume tem raízes antigas e uma ligação profunda às primeiras civilizações, particularmente ao continente africano.
Segundo Dirce Vera-Cruz, o desfile pretende também contrariar a ideia de que a origem do perfume está associada exclusivamente à França, apresentando o Egipto como um dos berços desta arte milenar. A narrativa começa nas antigas civilizações da Mesopotâmia e do Egipto, passa pelas rotas comerciais do Oriente e explora a utilização de essências, resinas, madeiras e óleos aromáticos em cerimónias religiosas, rituais e práticas de conservação dos corpos.
Para contar esta história, o Vindos do Oriente prevê levar à avenida três carros alegóricos e dois tripés, numa produção que deverá envolver entre mil e 1.200 figurantes. A componente artística está a cargo do carnavalesco brasileiro Jean Negrão, que volta a trabalhar com o grupo, enquanto a música oficial já está concluída e tem assinatura de Jotacê e Anísio Rodrigues.
Entre os destaques do desfile estarão a Bateria D. Lili, dirigida por Stenio Gomes, a rainha de bateria Mila Diogo, a porta-bandeira Noelisa Santos e o mestre-sala Lucas Duarte. O grupo contará ainda com as rainhas Zizi Soulé, Dirce Rosalem e Carina Oliveira, os reis José Luís Martins e Nelito Mota, além da comissão de frente, com coreografia de Irânia Gomes, e dos passistas.
Para concretizar este projeto, o grupo tem um orçamento entre 12 e 15 mil contos, segundo a presidente. Dirce-Vera Cruz garante que grupo já iniciou os trabalhos com uma primeira tranche do financiamento disponibilizado pela Câmara de São Vicente. Em relação ao apoio do Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas, explicou que, segundo informações transmitidas pela presidente da Liga Independente dos Grupos Oficiais do Carnaval de São Vicente (Ligoc-SV), a verba deverá ser disponibilizada em breve. Um primeiro montante, que deveria ter sido entregue anteriormente, mas que será agora pago em duplicado.
Os ensaios gerais deverão começar a 8 de janeiro, tendo em conta que o desfile de Carnaval está marcado para 9 de fevereiro de 2027. Apesar disso, a preparação artística e logística já está em andamento. Entretanto, Dirce Vera-Cruz voltou a manifestar insatisfação com as condições disponibilizadas para a construção dos carros alegóricos e a preparação dos trabalhos.
A responsável recordou que havia a expectativa de que, ainda este ano, os grupos carnavalescos passassem a dispor de estaleiros com melhores condições, conforme intenção anteriormente manifestada pelo então ministro da Cultura. No entanto, afirma que a realidade continua praticamente inalterada.“Estamos a trabalhar perto do Cemitério, entre contentores, em chão de terra batida”.
Em suma, este ano Vindos do Oriente aposta numa narrativa que atravessa séculos e civilizações para fazer do Carnaval 2027 uma celebração da história, da cultura e dos sentidos, levando à avenida uma verdadeira epopeia aromática.
